Som da Liberdade (Sound of Freedom): por que este filme está enlouquecendo a esquerda? | Fantástica Cultural

Artigo Som da Liberdade (Sound of Freedom): por que este filme está enlouquecendo a esquerda?

Som da Liberdade (Sound of Freedom): por que este filme está enlouquecendo a esquerda?

Por Paulo Nunes ⋅ 1 out. 2023
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Uma história real de combate à pedofilia levada aos cinemas. Quem teria coragem de se opor?

sound of freedom som da liberdade poster

O polêmico Som da Liberdade (Sound of Freedom) estreou no Brasil em setembro de 2023 e muita gente anda confusa. Ativistas de extrema-esquerda, entre eles vários jornalistas e influencers, têm demonizado o filme, alegando se tratar de uma produção conservadora de extrema-direita. O público em geral, porém, não tem visto nada de político ou conservador na produção. Que diabos está acontecendo?

Os eventos retratados no filme são baseados em fatos reais. Trata-se de uma operação de resgate a crianças vítimas de tráfico sexual na Colômbia, a chamada Operação Ferrovia Subterrânea. Tim Ballard, ex-agente especial do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, tomou a iniciativa de resgatar as vítimas em 2013, libertando quase 4.000 jovens escravizados por cartéis e traficantes de pessoas na América Latina.

Não existe qualquer ambiguidade no caráter ético dos eventos. Crianças e jovens sendo sequestrados e vendidos como escravos sexuais, Você também pode gostar: O que é lacração, e como saber se um filme é lacrador? e um operação de indivíduos tentando libertá-los. Os vilões e os heróis são autoevidentes.

Eis o problema: a narrativa do filme se alinha com uma preocupação comum entre eleitores de direita, em especial nos Estados Unidos: a pedofilia. É por esta razão que o tribalismo irracional dos militantes de extrema-esquerda é ativado.

A lógica é a seguinte: se meu inimigo defende uma causa, esta causa só pode ser perversa. Em uma democracia, seria esperado que a esquerda e a direita concordassem em muitos temas, e que suas diferenças fossem decididas via debate e votação. Mas a radicalização encerra qualquer possibilidade de as duas partes se sentarem à mesa para negociar os rumos de uma nação democrática. De repente, o adversário político torna-se o próprio satanás.

E é assim que um filme sobre combate à pedofilia, baseado em fatos reais, veio a ser rotulado de "isca para alimentar o ódio e os delírios da extrema-direita". Nota-se claramente o instinto de repulsa dos jornalistas e influencers ao abordarem o filme, refletindo uma intolerância cega e fanática.

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Entre as acusações inventadas pelos críticos do filme, está a de que Som da Liberdade estaria fomentando as teorias da conspiração do movimento QAnon. De fato, o QAnon reproduz diversas narrativas absurdas ou exageradas, razão pela qual pouca gente se associa a ele. Embora conspirações existam, grupos como o QAnon tendem a atribuir quase tudo à malevolência das elites ou a planos maquiavélicos, em uma espécie de paranoia obsessiva. O oposto do QAnon são os negacionistas das conspirações — aqueles que acreditam que não existe nenhum acordo silencioso entre as elites para garantir vantagem, poder e dinheiro, e que o Estado e as instituições internacionais, como o Fórum Econômico Mundial, jamais abusariam de sua influência ou mentiriam para a população. Os dois extremos são ingênuos.

Há décadas, os norte-americanos têm suspeitado de atividades criminosas como o tráfico de menores, e várias destas suspeitas foram comprovadas (como a famosa ilha de Jeffrey Epstein, utilizada para vender serviços sexuais de menores a pedófilos membros da elite). Outros tantos casos foram sinalizados em Hollywood. Elijah Wood, protagonista de O Senhor dos Anéis (como Frodo), atuava como ator desde criança. Segundo ele, a pedofilia é um problema sistêmico em Hollywood.

Talvez o maior ódio dos ativistas de extrema-esquerda seja descobrir que seus oponentes políticos estavam certos o tempo todo. Embora este devesse ser o momento de abrir trégua e unir forçar para combater o abuso de menores, parece que o ímpeto para politizar o caso e atacar adversários ideológicos é mais forte.

Junte a isso o fato de o protagonista heroico de Som da Liberdade, Jim Caviezel, ser um cristão devoto (homem, branco e heterossexual), e dificilmente um ativista de extrema-esquerda conseguirá pôr sua repulsa de lado para analisar o filme de forma neutra.

Som da Liberdade é um drama de ação. Não é um dos melhores filmes de ação que você verá, nem um dos melhores dramas. Sua produção, incluindo fotografia, trilha sonora, atuações, é de qualidade mediana — isto é: é um filme bem feito, mas não extraordinário. Seu forte é a história, o tema, o testemunho dos horrores que o ser humano pode cometer, e a ética e o heroísmo de que nossa espécie também é capaz.

Ainda, é um filme que serve de teste de sanidade. Pessoas de qualquer orientação política podem assisti-lo sem qualquer objeção. Som da Liberdade, afinal, não é nem político, nem religioso. Aqueles que se enfurecem com ele são os que falharam no teste. É um atestado de insanidade.

E se nem mesmo o sentimento de indignação contra o tráfico sexual de menores pode amenizar a polarização ideológica por alguns instantes, provavelmente estamos rumando para um futuro turbulento.

foto do autor

Paulo Nunes

Escritor, editor, ilustrador e pesquisador



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