Infanticídio Indígena: Rita Laura Segato, a antropóloga feminista que defende o assassinato de crianças deficientes | Fantástica Cultural

Artigo Infanticídio Indígena: Rita Laura Segato, a antropóloga feminista que defende o assassinato de crianças deficientes
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Infanticídio Indígena: Rita Laura Segato, a antropóloga feminista que defende o assassinato de crianças deficientes

Por Paulo Nunes ⋅ 1 out. 2023
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As contradições de uma pesquisadora militante em defesa da eugenia indígena, a prática tradicional de extermínio de bebês e crianças com deficiência física.

crianca indigena

Alguns fatos são por si só politicamente incorretos. Um deles é a prática do infanticídio entre tribos indígenas, assunto-tabu sobre o qual ninguém quer falar. Embora seja fenômeno bem conhecido, poucos ousam denunciar esta violação direta do direito humano mais básico — o direito à vida.

Trata-se de uma forma de eugenia entre os índios: quando um bebê nasce com alguma deficiência física aparente, ou com alguma característica que indique doença, ele é assassinado (muitas vezes enterrado vivo) pelos pais. Às vezes, o assassinato ocorre anos após o nascimento. Embora esta prática não ocorra em todas as tribos, o fenômeno pode ser observado em grupos caçadores-coletores por todo o mundo. A área de estudo que aborda mais diretamente este costume é a antropologia.

Segundo a Gazeta do Povo, na matéria Infanticídio indígena: prática persiste no Brasil sob alegação de "preservação cultural":

São muitos os relatos de assassinatos de bebês ou crianças indígenas ao longo da história em documentários, vídeos e declarações de testemunhas do resgate de crianças à beira da morte. Os casos de infanticídio nas aldeias vêm de uma tradição cultural e ocorrem em algumas tribos bastante isoladas quando nascem indígenas com deficiência, gêmeos ou filhos de mães solteiras. — Gazeta do Povo

A razão do tabu é óbvia. A visão idealizada dos indígenas, popularizada pela educação e pela mídia, colide com a crueza de alguns de seus costumes. Ao mesmo tempo que defendem os direitos humanos dos índios, muitos ativistas sustentam que os indígenas podem violar os direitos humanos Quer-se enxergar o índio como bom, puro e em harmonia com a natureza, como um ser humano ainda não corrompido pela ganância, pelo ódio, pelo poder. A realidade é outra: o índio é ser humano como qualquer outro, suscetível a todas as falhas de caráter que encontramos nos demais povos.

O infanticídio de deficientes, ainda que abominável e criminoso por uma ótica humanista, fazia algum sentido na pré-história. O ser humano vivia em luta constante pela sobrevivência. Todos os membros de uma tribo precisavam desempenhar alguma função, sendo úteis aos demais. Esta realidade produzia costumes cruéis. Crianças com deficiência eram vistas como um fardo inútil a ser carregado pelo grupo. Acreditava-se que traziam má sorte, e se atingissem a vida adulta, não arranjariam esposas ou maridos, devido à rejeição. Isto é: não produziriam filhos.

Em qualquer país do mundo, uma mulher que assassine seu filho deficiente hoje será presa e condenada. No caso dos indígenas, porém, os direitos humanos são ignorados: ao mesmo tempo que defendem os direitos humanos dos índios, muitos ativistas sustentam que os indígenas podem violar os direitos humanos.

Antropóloga feminista Rita Laura Segato
Antropóloga feminista Rita Laura Segato

A antropóloga feminista Rita Laura Segato, nascida na Argentina, é uma destas defensoras do infanticídio. Segundo sua lógica, qualquer interferência nas práticas indígenas é uma forma de violência (ainda que seja para impedir uma violência). Os costumes violentos dos indígenas, por outro lado, são morais e legítimos "porque são sua tradição".

O raciocínio é simples: toda cultura de origem europeia é maligna, violenta e antiética, e todas as demais são benignas, pacíficas e éticas. Ou ainda: todos os povos têm direito à sua cultura, menos os de origem europeia.

Abusando do jargão acadêmico, provavelmente para obscurecer o lado sombrio de seu posicionamento, Segato escreve:

O caso limite do infanticídio indígena nos ensina que, em um ambiente dominado pela episteme da colonialidade e sob a hegemonia dos discursos dos direitos universais, não resta margem para defender a autonomia em termos de cultura, ou seja, em termos relativistas e do direito à diferença.1

O assassinato de crianças, portanto, seria um direito, isto é, o "direito à diferença". Um povo que assassina é apenas "diferente", e seus assassinatos devem ser aceitos. Em direta contradição, no entanto, Segato opõe-se aos direitos humanos, como o da vida das crianças, por serem parte de um "discurso hegemônico dos direitos universas".

Todas as correntes ideológicas antieuropeias (feminismo interseccional, teoria crítica marxista, teoria decolonial, teoria crítica de raça, teoria queer) acabam chegando a esta mesma conclusão: tudo o que provém da Europa é demoníaco. E como os direitos humanos provêm da Europa, nem mesmo estes escapam.

Infelizmente, Segato é apenas uma entre milhares de ativistas que se utilizam das plataformas acadêmicas (universidades, revistas científicas) e do jornalismo crédulo para amplificar ideias aberrantes. E está tendo sucesso:

Aos 71 anos, Rita Laura Segato está no auge de seu reconhecimento no país que escolheu para viver: o Brasil. — Portal Catarinas

Adotando as já costumeiras teorias da conspiração da extrema esquerda, Segato afirma que "o polêmico tema do infanticídio indígena [é] colocado sob o foco de um teatro montado para fazer retroceder as aspirações de respeito e autonomia dos povos".1 Para ela, a preocupação com os direitos das crianças indígenas seria apenas um esquema para oprimir as tribos. Qualquer interversão para salvar vidas seria uma "intrusão colonial moderna".1

Questionar a ética do infanticídio teria como finalidade "afirmar a superioridade moral e o direito à missão civilizadora do colonizador",1 segundo Segato.

Uma explicação possível para esta defesa do infanticídio seja o desejo mórbido de um direito ao aborto pós-parto. Em entrevista para o Portal Catarinas, Segato afirma:

Esse fanatismo contra o aborto, essa proibição pseudo-moral, é nova até mesmo para a igreja católica. Onde se tem liberdade para abortar, muitos médicos se declaram objetores de consciência. Bem, eu não acredito nisso, acho que aí existe uma questão de gênero, classe e até de raça.

Nesta entrevista, Segato declara não acreditar que qualquer objeção ao aborto seja resultado de preocupações éticas. Para ela, a única razão possível para alguém se A criança indígena com deficiência é sacrificada no altar dos direitos de liberação femininos (isto é, direito de matar bebês) opor à interrupção de uma gravidez é o sexismo, a misoginia, o classismo e o racismo. A moralidade seria, portanto, apenas uma desculpa hipócrita.

Valendo-se do mesmo cinismo, podemos especular se também ela é uma moralista hipócrita. Sua demonização maniqueísta e reducionista de culturas de origem europeia, assim como as contradições em sua defesa de direitos para uns e não para outros, sugere uma mente fanática, incapaz de perceber nuances e de praticar autocrítica. A criança indígena com deficiência é sacrificada no altar dos direitos de liberação femininos (liberação para matar o indefeso), e seu protesto é silenciado pela barbárie última: o extermínio. Quando as partes envolvidas se reúnem para debater direitos, nenhuma destas crianças é representada — apenas a parte interessada no infanticídio. E quem busca dar voz ao interesse das vítimas, ironicamente, é rotulado de opressor.

Assim, a defesa contraditória de Segato às minorias, assim como sua suposta luta contra o racismo, o machismo e o capitalismo, talvez seja apenas um veículo para expressar seus preconceitos, ressentimentos e ódios — que ela não enxerga em si, mas projeta em seus opositores políticos:

Precisamos entender a origem do ressentimento. — Segato afirma. — Existe um poço de rancor e de fúria disponível para a direita se apropriar e manipular o povo.

De fato. Mas o que ela vê ao se olhar no espelho?

sangue poca

Referências

1 SEGATO, Rita Laura. Gênero e colonialidade: em busca de chaves de leitura e de um vocabulário estratégico descolonial. e-cadernos CES, v. 18, 2012. Disponível em: https://doi.org/10.4000/eces.1533

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Paulo Nunes

Escritor, editor, ilustrador e pesquisador




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