Por que você ainda usa Máscara? A Pergunta, e a Resposta | Fantástica Cultural

Artigo Por que você ainda usa Máscara? A Pergunta, e a Resposta

Por que você ainda usa Máscara? A Pergunta, e a Resposta

Por Paulo Nunes ⋅ 30 ago. 2022
Compartilhar pelo FacebookCompartilhar por WhatsAppCitar este artigo

Por que milhares de pessoas jovens, vacinadas e saudáveis ainda usam máscara?

A Pergunta

Por que milhares de pessoas jovens, vacinadas e saudáveis ainda usam máscara?

Imagem: @JermCohen (Instagram)
Imagem: @JermCohen (Instagram)

A pós anos de pandemia, não somos mais os mesmos. Muitos se tornaram o avesso do que costumavam ser. Muitos, se pudessem dialogar com sua versão pré-pandemia, entrariam em discussão acalorada, e sairiam se odiando, se chamando de fascistas ou negacionistas. O que terá acontecido?

O que pensaríamos, em 2019, das atitudes socialmente normalizadas no pós-pandemia? Em especial, como avaliaríamos o uso de máscaras por pessoas duplamente ou triplamente vacinadas, contra uma doença com taxa de letalidade de 0,3% para pessoas com menos de 50 anos (taxa que já é bem menor, visto que estes números são de 2020 e consideram apenas as pessoas não vacinadas)?

Você irá concordar: se sua versão de 2019 fosse transportada, via máquina do tempo, até o dia de hoje, e fosse informado da situação do mundo atual (com dados concretos, cientificamente embasados), você ficaria embasbacado com as milhares de pessoas imunes ao coronavírus ainda usando máscara até mesmo em seus carros. Você pensaria que essas pessoas estão doidas. Ou usaria o termo técnico: hipocondria.

Veja a situação: toda a população que deseja se vacinar já se vacinou, com as duas doses iniciais e com as complementares. A COVID-19 já está praticamente em estado endêmico, o que significa que já circula o ano todo pela sociedade, com um volume esperado de casos e óbitos. E assim como tantas outras doenças semelhantes, como as variações da gripe, a COVID-19 provavelmente não irá desaparecer. Ela continuará circulando, indefinidamente, por décadas, gerando novas mutações. Daí a pergunta: Quem está usando máscara hoje pretende usá-la até morrer? O que estão esperando para deixar de usá-la?

O número de casos de infecção por coronavírus sempre foi subdiagnosticado, devido à enorme quantidade de infectados assintomáticos. Hoje, a grande maioria das pessoas já contraiu o vírus pelo menos uma vez, e provavelmente várias vezes, assim como todas as pessoas com as quais tem contado. Que função pode desempenhar uma máscara nessas circunstâncias? As pessoas já estão imunes.

Obviamente, ainda haverá mortes por COVID-19. Assim como haverá mortes por outras doenças, como H3N2, influenza, etc. Mas repare: nenhuma pessoa saudável usava máscara até 2019 para se proteger dessas doenças. A letalidade destas variações da gripe se dá entre pessoas com sistema imunológica fragilizado, como idosos e indivíduos com comorbidades. Estas pessoas sempre existirão, pelo que sempre haverá alguma taxa de letalidade para o COVID-19, assim como é esperado para qualquer outro vírus.

Imagem: BBC
Imagem: BBC

E, como já mencionado, as taxas de letalidade são absurdamente baixas para as populações infantil, jovem e adulta — e essas taxas são drasticamente menores após a vacinação. Um jovem ciclista que ande de máscara, hoje, tem mais chance de morrer em um acidente de trânsito do que de coronavírus.

Há quem diga que "cada um que decida por si mesmo, da forma como se sentir melhor". Sim, é razoável. Mas ironicamente, quem ainda usa máscara está aumentando suas chances de adoecer por coronavírus no futuro: a pessoa vacinada está imune à mutação atual do vírus, e convém que se mantenha em contato com as novas mutações endêmicas, que serão inócuas ou muito fracas, para que seu sistema imunológico gradualmente se adapte às novas variações da doença. Mas ao isolar-se das infecções endêmicas, o sistema imunológico do indivíduo ficará estagnado (imune apenas a uma variante do coronavírus que não existe mais), e o corpo não aprenderá a lidar com as novas mutações. Quando não há risco de morte, sofrimento sério ou sequelas, a melhor vacina é o contado com o próprio vírus — assim, o sistema imunológico cria defesas contra o organismo verdadeiro, e não contra a versão similar e mais fraca presente nas vacinas tradicionais.

Mas tudo isso são fatos científicos, raciocínio lógico e senso comum. E não é esta a razão pela qual muitos continuam usando máscara. Vejamos, então, o porquê:

A Resposta

Os macacos, o arroz rosa e o arroz azul

macaco

Em um experimento realizado com macacos em 2013, e publicado na revista Science, foi possível observar um curioso fenômeno de condicionamento comportamental.

Os cientistas estabeleceram duas colônias de macacos, separadas entre si. Os macacos das duas colônias recebiam como alimento duas variações de comida: arroz tingido de azul, e arroz tingido de rosa. Os cientistas, porém, cuidaram para que o arroz azul tivesse um gosto insuportável para uma das colônias, e que o arroz rosa fosse o intragável para a outra.

Assim, nas duas colônias os macacos rapidamente aprenderam que uma cor de arroz deveria ser rejeitada, pois não conseguiam comer daquele tipo devido ao gosto ruim. Em pouco tempo, todos os macacos já sabiam qual cor de arroz procurar, e ignoravam o arroz da outra cor.

Depois de algum tempo, os cientistas passaram a entregar aos macacos somente arroz de gosto normal, tanto o azul como o rosa. Sua intenção era descobrir se os animais continuariam com seu hábito de seleção por cor, ou se aprenderiam que a diferença de gosto já não existia. O resultado é provavelmente o que você está imaginando.

Os macacos continuaram comendo apenas o arroz da cor para a qual se autocondicionaram. Em uma das colônias, continuaram só comendo o arroz azul, desperdiçando o arroz rosa, agora perfeitamente comestível. Na outra colônia, o mesmo se dava com as cores inversas. Observou-se que os macacos adultos ensinavam os filhotes qual cor de arroz deveriam comer, transmitindo o que haviam aprendido (mas que não fazia mais sentido).

Com o tempo, alguns poucos macacos, talvez os mais propensos a experimentar coisas novas, provaram do arroz que deveria ter gosto ruim, e ao perceberam que este tinha gosto normal, abandonaram a seleção do arroz por cor. Mas estes foram a exceção. Como regra, a sociedade de primatas perpetuava ações tradicionais, uns imitando aos outros, adotando mais o conformismo às normas grupais do que o pensamento autônomo-crítico.

brainwashing

Exatamente como nós, humanos.

Ideias são como vírus. Assim como os vírus só conseguem se reproduzir por meio de hospedeiros, as ideias só existem por meio da mente. E assim como os vírus, que passam a controlar funções do corpo ao interagirem com as células, as ideias, quando adotadas por uma pessoa, passam a influenciar suas ações. É isso que ocorre no caso do condicionamento social.

É como se um software fosse instalado na mente do indivíduo, programando-o para determinado comportamento e forma de pensar. E este é um processo natural, comum à espécie (como explica o psicólogo evolucionista Gad Saad em seu livro A Mente Parasita, em que cunhou o termo patógeno de ideia). As decisões e conclusões da pessoa, nesse caso, não provêm do pensamento próprio, mas do ambiente social: da família, do círculo social, da mídia, do governo. Em termos de seleção natural, faz todo sentido: seguir a manada, instintivamente, tende a aumentar as chances de sobrevivência no mundo selvagem. E como tendência, o indivíduo treinado terá dificuldades emocionais de romper com os hábitos aos quais foi condicionado.

Afinal, ainda somos primatas.

Macaco vê, macaco faz.

foto do autor

Paulo Nunes

Escritor, editor, ilustrador e pesquisador




SÉRIE NUM FUTURO PRÓXIMO

VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR

NUNCA PERCA UM POST







Merlin Capista de Livros Sobre Merlin - Capista de Livros Como Publicar seu Livro ou E-Book - Merlin Capista Criação de Capas de Livro - Merlin Capista Diagramação de Livro - Merlin Capista Portfólio de Capas de Livro - Merlin Capista Portfólio de Ilustrações e Design - Merlin Capista Orçamento - Merlin Capista de Livros Contato - Merlin capista de Livros