Guerra dos Sexos: O Feminismo Contra-Ataca | Fantástica Cultural

Artigo Guerra dos Sexos: O Feminismo Contra-Ataca

Guerra dos Sexos: O Feminismo Contra-Ataca

Por Paulo Nunes ⋅ 7 set. 2022
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A combatividade, a culpa e o ressentimento, transferidos do imaginário ideológico para um indivíduo específico, arruínam qualquer chance de uma relação saudável.

guerra dos sexos homem mulher

Desde tempos imemoráveis, homens têm reclamado de mulheres, e mulheres têm reclamado de homens. Em se tratando de heterossexuais, o fato é que, por razões biopsicológicas, os sexos não conseguem viver um sem o outro — mas, ao mesmo tempo, as diferenças entre o feminino e o masculino costumam gerar uma infinidade de conflitos interpessoais. Nada mais natural. Mas será que esses atritos têm piorado?

Sim, sem dúvida. E esta problemática é de responsabilidade quase exclusiva do feminismo contemporâneo.

Hoje, há uma tendência generalizada entre mulheres, geralmente feministas ou simpatizantes, de enxergar as relações entre homens e mulheres como uma espécie de disputa. Com a adoção dessa mentalidade belicosa, os sexos passam a se relacionar tendo como pano de fundo o conflito de gênero. O indivíduo, assim, é tratado como membro de um coletivo imaginário, seja o patriarcado opressor, seja a comunidade de mulheres vitimadas. A partir dessa narrativa ideológica, mulheres feministas ou simpatizantes são levadas a travar batalhas em seus relacionamentos com homens: Há, por exemplo, inúmeros comportamentos denunciados como sexistas que, quando praticados por uma mulher, são de todo aceitáveis, senão encorajados e celebrados. parceiros, pais, filhos, amigos, colegas. As ações e o caráter de cada indivíduo já não importam tanto: atribui-se à pessoa os atributos do coletivo, de acordo com a crença ideológica. Nesses casos, a pessoa ideologizada já não vê o parceiro como indivíduo, mas como uma marionete do coletivo a que é associado.

O resultado disso não pode ser outro senão relações tóxicas, absolutamente patológicas. A culpa e o ressentimento, transferidos do imaginário ideológico para um indivíduo específico, arruínam qualquer possibilidade de um relacionamento saudável. E todo mal feito ao parceiro pode ser encarado como uma forma de justiça social — uma reparação histórica —, isentando quem o pratica.

solidao edward hopper
Arte de Edward Hopper

Como consequência dessa mentalidade, certas mulheres têm o costume de enxergar machismo em qualquer inconveniência que encontrem, esvaziando o termo de seu significado original. Há, por exemplo, inúmeros comportamentos denunciados como sexistas que, quando praticados por uma mulher, são de todo aceitáveis, senão encorajados e celebrados. Enquanto criticar, debochar ou humilhar homens são práticas normalizadas (e cada vez mais frequentes, como se vê nas redes sociais), estas mesmas ações são consideradas abominações intoleráveis quando direcionadas a uma mulher.

O resultado dessa proteção infantilizadora do ego feminino, em contraste com as tentativas de desconstrução da masculinidade (denominada de "tóxica" — veja os exemplos abaixo), têm gerado crescente ressentimento entre homens e, de forma geral, uma sociedade mais conflituosa, instável e hostil.

Exemplos de Feminismo Tóxico
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Diretamente relacionadas com esse fenômeno são as atitudes de autovitimização, bem conhecidas na área da psicologia. Segundo a psicóloga Izadora de Freitas Salvador, a autovitimização "é a capacidade do indivíduo de se colocar no papel de vítima ou de pessoa perseguida para assim conseguir anular críticas, opiniões ou objeções contra as quais não consegue argumentar".

E prossegue:

Estão sempre colocando a "culpa" de seus problemas no mundo externo. A "vítima" confunde ideias com sentimentos, ideologias com pessoas, e no fundo revela a falta de capacidade em admitir que simplesmente pode estar errada. ... Algumas das principais características desses autovitimizadores podem ser traduzidas no seguinte: Manipuladores pela chantagem emocional; Acreditam que necessitam ser perseguido(a)s ou "salvo(a)s"; ... Se alimentam de culpa; Sabotam esforços de ajuda, se colocando em dependência; Se ressentem desta dependência.

Sem dúvida, a autovitimização, assim como o sexismo, tem sido praticada por homens e mulheres desde os primórdios — visto serem reflexos comuns da psique humana e das interações sociais. O que é particular de nossa época é a aceitação generalizada desses comportamentos quando provenientes de mulheres, e a normalização das hostilidades interpessoais e culturais baseadas no feminismo.

cena de quem tem medo de virginia woolf
Cena do filme Quem tem medo de Virginia Woolf? (1966)

Para a jornalista Cathy Young, do The Washington Post, "as coisas chegaram a tal ponto que ataques casuais e de baixo nível contra homens tornaram-se um ruído constante na mídia on-line progressista do momento". Comentando sobre a misandria (ódio, desprezo ou preconceito contra homens), Young reflete sobre o número de palavras criadas recentemente com o intuito de criticar o sexo masculino:

Considere, por exemplo, o número de neologismos que usam "man" como prefixo depreciativo e que entraram na linguagem cotidiana da mídia: "mansplaining", "manspreading" e "manterrupting". Seriam estes comportamentos predominantemente masculinos, a ponto de justificar essa especificação de gênero?

Não necessariamente: o estudo mais citado como evidência de interrupção masculina excessiva de mulheres ("manterrupting") na verdade descobriu que a interrupção mais frequente é feminina ("femterrupting"?).

Sentar com as pernas afastadas pode ser coisa de homem, mas há boa documentação visual de mulheres ocupando espaço extra nos transportes públicos com bolsas, sacolas de compras e pés nos assentos.

Talvez zombar e repreender os homens não seja a maneira de mostrar que a revolução feminista é sobre igualdade.

Arte de Artemisia Gentileschi
Arte de Artemisia Gentileschi

Infelizmente, em resposta ao número crescente de mulheres com este perfil (que confundem empoderamento com belicosidade, arrogância, narcisismo e intolerância), muitos homens têm se adaptado a esses traços de caráter e passado a agir, também, como canalhas.

Multiplicam-se, assim, os relacionamentos disfuncionais e abusivos; as mulheres sentem-se usadas, e passam também a usar os homens. Indivíduos procuram relações apenas para extrair, evitando se doarem em retorno. A desconfiança é constante. No final, nenhum dos sexos sai ganhando.

arte de raffy ochoa

foto do autor

Paulo Nunes

Escritor, editor, ilustrador e pesquisador




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