Os Horrores do Teletransporte - Ciência e Paradoxos em Star Trek | Fantástica Cultural

Artigo Os Horrores do Teletransporte - Ciência e Paradoxos em Star Trek

Os Horrores do Teletransporte - Ciência e Paradoxos em Star Trek

Por Paulo Nunes ⋅ 1 jul. 2023
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O que é teletransporte? Seria possível criá-lo no futuro? E... quais seriam as consequências?

teletransporte star trek 3

Das diversas engenhocas inventadas para figurar em histórias de ficção científica, um bom bocado veio a se tornar realidade em questão de décadas. Robôs que conversam com humanos, comunicação global instantânea, computadores de bolso, clonagem, carros que dirigem a si mesmos e chips cerebrais existiam apenas na imaginação de cientistas e contadores de histórias visionários, até o dia em que viraram notícia no mundo real. Sendo assim, será que algum dia ainda assistiremos à invenção do teletransporte?

A resposta está dividida em três partes:
1) O que é teletransporte.
2) Os horrores e paradoxos do teletransporte.
3) E a plausibilidade científica do teletransporte.

1. O que é teletransporte

teletransporte tecnologia

Popularizada pela série original de Star Trek, em 1966, a ideia de transportes instantâneos — ou teletransporte — é um recurso narrativo bastante antigo. Objetos mágicos capazes de realizar teletransporte podem ser encontrados em obras tão antigas quanto As Mil e Uma Noites. Ao se teletransportar, o indivíduo desaparece de um local, e aparece em outro. Mas enquanto em ficção científica o termo usado é teletransporte, em Harry Potter, por exemplo, tal prática é chamada de aparatar (pelo menos na versão em português).

Há, é claro, uma explicação diferente para o fenômeno a depender da obra e do seu gênero. Especificamente em Star Trek, o teletransporte é realizado da seguinte maneira:

  • Um scanner lê a pessoa a ser transportada, copiando todas as informações de seu corpo: todos os átomos, e mesmo características subatômicas, são registrados e salvos em um buffer (sistema de armazenamento de dados temporário).
  • Após a leitura, o aparelho desintegra todas as partículas da pessoa, transformando-as em energia pura. Isto seria possível porque, conforme a teoria da relatividade, toda matéria é formada por energia.
  • Para materializar a pessoa novamente no local desejado, o aparelho precisa usar a informação coletada sobre sua estrutura (átomo por átomo) e converter energia pura em átomos e moléculas, recriando a estrutura do corpo original exatamente como copiado.

2. Os horrores e paradoxos do teletransporte

teletransporte star trek 4

Se você prestou atenção no procedimento recém-descrito, deve ter notado que, na verdade, não se trata de um transporte. Transportar implicaria conduzir algo de um local a outro. A tecnologia de teletransporte, porém, faz algo completamente diferente: ela copia o original, destrói este original, e depois recria uma cópia do original.

De fato, esta tecnologia é semelhante à da televisão ou da internet: ao abrir um site em seu computador, ou ao assistir a um filme na Netflix, você está interagindo como uma cópia do original, que se encontra nos servidores. A diferença é que, para que não haja duas versões do mesmo indivíduo, o teletransporte destrói a pessoa original.

Portanto, cada vez que os capitães James T. Kirk ou Jean-Luc Picard viajam via teletransporte, seu corpo é desintegrado (isto é, eles morrem), e uma cópia é materializada em seguida.

Para quem acredita em alma, o teletransporte provavelmente será sinônimo de suicídio. Afinal, o que garantiria que a alma, ao ter seu corpo destruído, irá voltar para habitar a nova versão, criada sinteticamente?

E mesmo sem entrar em questões religiosas, ainda resta a dúvida: uma versão copiada de você continua sendo você?

teletransporte star trek 2

Em Star Trek, a resposta parece ser sim. Mas este paradoxo é abordado em um dos episódios de Star Trek: A Nova Geração (The Next Generation, 6ª temporada, episódio 24: "Segundas Chances"), em que o personagem Riker acaba sendo materializado duas vezes, devido a um erro do computador. Como resultado, dois seres humanos absolutamente idênticos são impressos pela tecnologia de teletransporte, e como nenhum deles é o original, ninguém sabe o que fazer para sanar a situação.

Outras questões bizarras surgem: se algo pode ser "copiado e colado", e como visto, pode ser impresso mais de uma vez, bastando usar os dados para recriar a pessoa ou objeto, seria possível multiplicar qualquer coisa ao infinito. O próprio combustível da Enterprise e outros veículos de Star Trek, isto é, os cristais de dilithium, poderiam ser recriados ao infinito, a partir de uma única cópia.

Mais ainda, ninguém precisaria morrer. Bastaria que uma versão sua fosse salva nos computadores, e você poderia voltar à vida via máquina de teletransporte. Na prática, porém, você (o verdadeiro você) teria morrido na primeira viagem, e jamais retornaria.

duplicado teletransporte star trek riker

Imagine que uma cópia sua fosse criada, mas que você permanecesse vivo. Esta cópia sua assumiria a sua vida, ocuparia o seu lugar na sua família (sua mãe seria agora a mãe dele, sua esposa seria a esposa dele, seus filhos seriam os filhos dele), tomaria controle de sua conta bancária, seu emprego, seus bens. Imagine que, agora, você precisaria se suicidar, entregando à sua cópia tudo o que você construiu durante a vida. Você se sentiria vivendo através dele? Não é óbvio que você não é a mesma pessoa que a sua cópia?

Note-se, também, que o teletransporte poderia ser usado como arma. Se teletransportar envolve desintegrar o corpo original; e se, em Star Trek, é possível teletransportar pessoas a partir do espaço, de dentro de suas casas; então, esta mesma tecnologia poderia ser usada para desintegrar pessoas à distância, em suas residências, sem qualquer necessidade de armas, e ainda convertendo estas pessoas mortas em energia para alimentar a Enterprise. Bastaria não materializá-las depois da coleta.

Quando encaramos o teletransporte considerando estas implicações inevitáveis, Star Trek torna-se menos ficção científica, e mais uma série de horror.

3. Seria o teletransporte possível?

spok star trek teletransporte

A resposta curta é não.

Transformar matéria em energia pura já é possível: é o que chamamos de fissão nuclear. O processo inverso — transformar energia em matéria — também já é tecnicamente possível, mas o processo requer quantidades extraordinárias de energia.

No entanto, não existe qualquer tecnologia capaz de transformar matéria diretamente em energia sem causar uma explosão atômica, muito menos coletar a totalidade desta energia em um buffer (nenhuma bateria existente hoje seria capaz de armazenar tanta energia).

Quanto a transformar energia em matéria, o processo do teletransporte é ainda menos verossímil, tendo tudo para ser impossível. Converter quantidades colossais de energia em uma estrutura complexa (extraordinariamente complexa), átomo a átomo, recriando tecidos, glóbulos sanguíneos, ligações neurais, memória imunológica, etc., está mais próximo de mágica do que qualquer coisa que se conhece em ciência hoje.

Além disso, nem mesmo todos os computadores do mundo combinados seriam capazes de registrar todas as informações de um corpo humano para a realização da cópia e posterior reintegração. O corpo humano possui em torno de 5.775 x 10^27 átomos, número que pode ser escrito assim:


5.775.000.000.000.000.000.000.000.000.000


São 27 zeros. E o problema da quantidade é apenas um detalhe, visto que a própria capacidade de escanear a posição exata de cada átomo dentro de um corpo também é, para nós, absurda.

Por último, é preciso mencionar que o teletransporte, em Star Trek, consegue realizar esta leitura completa de um corpo humano a milhares de quilômetros de distância. Como isso seria possível, ninguém sabe dizer. O scanner é de tal potência que consegue detectar a estrutura exata de um corpo humano do outro lado de um planeta, átomo a átomo. Da mesma forma, é capaz de materializar ou desmaterializar pessoas a milhares de quilômetros, transferindo a energia através do ar de forma inexplicável.

Quando se trata de tecnologia, porém, nunca devemos dizer nunca. Quem sabe o que aguarda a humanidade nos próximos séculos e milênios?

tricorder

foto do autor

Paulo Nunes

Escritor, editor, ilustrador e pesquisador



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