Comunismo sem Estado: como será a verdadeira sociedade comunista? | Fantástica Cultural
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Comunismo sem Estado: como será a verdadeira sociedade comunista?

Victor Lisboa
⋅ 10 mar. 2026
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Eis uma dúvida que atormenta até os mais respeitados marxistas: como uma sociedade comunista poderá funcionar sem Estado, como proposto por Karl Marx?

Comunismo sem Estado: como será a verdadeira sociedade comunista? A final, como o comunismo pode existir sem um Estado? Para marxistas de primeira viagem e curiosos, essa é uma das primeiras dúvidas a surgir ao conhecer as propostas de Karl Marx. Não por acaso, esse ponto é crucial para o entendimento do verdadeiro comunismo.

Para Marx, o comunismo pleno requer a ausência de Estado. Ou seja: para o verdadeiro comunismo funcionar na sociedade, não seria permitida a presença de qualquer governo ou hierarquia. Todos seriam iguais em termos de poder, sem governantes, representantes ou líderes.

Isso deixa muita gente confusa, porque todos os países referidos como socialistas ou comunistas possuem um Estado. Assim como a extinta União Soviética, países como China, Cuba, Vietnã, Laos e Coreia do Norte Todos irão dividir seus recursos voluntariamente, assim como sua força de trabalho, e trabalharão tantas horas quantas forem necessárias para servir ao coletivo. possuem um governo com hierarquia clara, mantido por força militar, e um líder com autoridade quase ilimitada. Seriam esses países comunistas?

Karl Marx chama esse estágio social de ditadura do proletariado, um momento transitório entre a revolução comunista, que dá fim ao capitalismo, e o comunismo pleno, sem governo ou Estado. E a verdade é que esse estágio final, até hoje, nunca foi alcançado.

Mas como seria possível uma sociedade funcionar sem a coordenação e a imposição de regras proporcionada pelo Estado?

Abaixo, serão explicados os 7 principais mecanismos de funcionamento do comunismo pleno:


Comunismo sem Estado: como será a verdadeira sociedade comunista?#1

Conformidade

Alinhamento ideológico natural e incondicional

U m dos principais papéis do Estado é garantir que os membros de uma sociedade sigam as regras (leis). Em uma sociedade comunista, a obediência às normas sociais ficará 100% sob responsabilidade de cada cidadão.

Isso significa que não existirá Polícia. Não existirá Judiciário, com suas leis, juízes, advogados e tribunais. Essas instituições, para Marx, são hierárquicas e, portanto, antidemocráticas. São formas de opressão. Então, no comunismo pleno é cada um por si? Sim, mas isso não é um problema, devido à tendência natural do cidadão a cooperar com as necessidades do coletivo nesse contexto.

É verdade que, até hoje, nenhuma forma de educação foi capaz de garantir conformidade total às regras e leis. A ausência de policiamento e garantia de punição é, inclusive, associada fortemente a níveis altos de criminalidade e desobediência civil. Porém, Marx não se referia às transgressões comuns aos seres humanos, como roubos, assassinatos, etc. Sua proposta é que a dissidência ao comunismo, antes de mais nada, seja extinta via educação. Em seu entendimento, a conscientização política transformará o homem e seu comportamento.

Portanto, é plausível imaginar uma sociedade em que todos concordem politicamente. Para isso, bastaria uma educação sólida, proporcionada gratuitamente por voluntários (pois no comunismo pleno não existe dinheiro), e um coletivo de adultos que exerça pressão social para a conformidade, cujas crenças jamais divirjam da doutrina marxista.

Assim, ao aprender sobre a importância da igualdade, todos irão dividir seus recursos voluntariamente, assim como sua força de trabalho, e trabalharão tantas horas quantas forem necessárias para servir ao coletivo, de livre e espontânea vontade, sem necessidade de incentivo ou coerção.

Se isso tudo soa como utopia, é porque de fato é: a utopia que Marx anteviu para nosso futuro.


Comunismo sem Estado: como será a verdadeira sociedade comunista?#2

Autossacrifício

Compulsão ao trabalho para o bem de todos

O s simpatizantes do marxismo, hoje, são os primeiros a criticar o trabalho duro, a luta pela sobrevivência via esforço e suor. Acreditam se tratar de injustiças do capitalismo. Ironicamente, opor-se a essas noções é opor-se ao marxismo. No comunismo pleno, tudo será produzido por todos, e todos dependerão do trabalho de todos.

Portanto, não trabalhar é uma traição ao coletivo, um ato egoísta anticomunista.

A confusão ocorre porque, no capitalismo, trabalha-se dentro da lógica do lucro e da distribuição desigual do capital. No comunismo pleno, tudo será produzido por todos, e todos dependerão do trabalho de todos. Portanto, não trabalhar é uma traição ao coletivo, um ato egoísta anticomunista. Mas no comunismo pleno, o trabalho destina-se ao bem-estar da população, com distribuição igualitária.

Nesse contexto, recusar-se a trabalhar — e, ao mesmo tempo, consumir os bens e serviços prestados pela sociedade — é uma forma de parasitismo semelhante à da aristocracia. A lógica é simples: quem não trabalha, mas desfruta do trabalho dos outros, vive como um senhor de escravos. A igualdade não se refere apenas ao que se ganha, mas também ao que se dá em retorno.

No comunismo, portanto, quem pode trabalhar e não trabalha está explorando o coletivo. E é por essa razão que, no comunismo, o trabalho é compulsório a todos.

E você poderá escolher onde quer trabalhar?

Se tiver sorte. Em uma sociedade complexa, não cabe ao indivíduo, com suas pretensões egoístas, impor ao coletivo suas preferências individualistas. Se, por exemplo, você deseja ser um artista, mas a sociedade precisa de mais agricultores, você deverá ser um agricultor. Se a necessidade por agricultores existir em outro continente, é para lá que você vai. Pois é a mentalidade capitalista que nos ensina a priorizar a nós mesmos acima dos outros.

O coletivismo, para Marx, deve sobrepor-se ao individualismo. Como os recursos e serviços fundamentais da civilização não surgem do nada, mas precisam ser produzidos em escalas específicas, ao cidadão não caberá escolha quando esta não existir. Apenas assim a sociedade comunista será sustentável: com o autossacrifício de todos.


Comunismo sem Estado: como será a verdadeira sociedade comunista?#3

Controle Global

A revolução terá escala planetária

N ão é por acaso, ou apenas por retórica, que Marx propunha: "Proletários do mundo todo, uni-vos!". Em sua concepção do futuro, o capitalismo seria abolido em todas as partes do planeta, assim como as fronteiras das nações, e a humanidade se uniria em um único coletivo global.

E isso não é apenas um detalhe. É um ponto-chave para que o comunismo pleno possa funcionar. Sem essa transformação global absoluta, nada funcionaria.

Isso ocorre porque uma nação é sempre mais forte que indivíduos isolados. A nação, articulada pelo Estado, possui um exército, uma hierarquia de comando, e Conclui-se, portanto, que o último estágio antes do comunismo pleno será uma dominação global da ditadura do proletariado. recursos bélicos criados exclusivamente para atacar outras nações. No comunismo pleno, hierarquias são proibidas, o que se torna uma desvantagem tática fatal. Como a Guerra Fria nos mostrou, apenas um Estado tem capacidade de opor-se a outro Estado, o que forçaria a utopia comunista a regredir a seu status de ditadura.

Assim, como a história nos mostra, os pioneiros do comunismo — como os soviéticos, na Ásia e no Leste Europeu, e Fidel e Che, nas Américas — procuravam expandir o domínio comunista invadindo territórios (como nas expansões da União Soviética) e instigando revoluções em nações vizinhas, treinando e financiando guerrilheiros.

Conclui-se, portanto, que o último estágio antes do comunismo pleno será uma dominação global da ditadura do proletariado.

Para a eliminação do Estado, todas as nações devem ser aglutinadas em um único regime, para posterior abolição das fronteiras.


Comunismo sem Estado: como será a verdadeira sociedade comunista?#4

Aniquilação do Self

O egoísmo humano é o principal obstáculo

Quando se critica o capitalismo, falamos no egoísmo dos ricos e poderosos. Mas tanto a classe média quanto as classes baixas são possuídas pelo mesmo desejo por dinheiro e poder. A ganância não é social, é da natureza humana.

Marx não parece ter aplicado a teoria da evolução em seus estudos, e a concepção de seleção natural ainda estava em sua fase inicial naquele tempo. Hoje, O fim do egoísmo, no entanto, implica também o fim do ego. Isso porque é o ego que nos leva a violar o princípio da igualdade, regredindo ao individualismo. porém, sabemos que é o instinto de sobrevivência que leva o ser humano a competir e a acumular mais do que precisa, em detrimento do coletivo. O mesmo mecanismo biológico se observa na alimentação: a obesidade só se tornou um problema de saúde moderno porque os seres humanos estão geneticamente inclinados a comer mais do que precisam — algo útil no passado, para compensar os períodos de fome, mas desregulado nos dias atuais.

O mundo mudou, mas o ser humano é o mesmo.

Ironicamente, foi a Igreja Católica que elaborou o melhor resumo das pulsões prejudiciais ao coletivo: os 7 pecados capitais. Todos estes "pecados" são, na verdade, atos egoístas:

  • A gula, que priva os demais de alimento.
  • A preguiça, que parasita a força de trabalho dos demais.
  • A avareza, ou ganância, que nos convence a não compartilhar.
  • A soberba, ou orgulho doentio, que nos faz crer sermos melhores e mais merecedores do que os outros, rompendo o princípio da igualdade.
  • A luxúria, que representa o excesso de satisfação pessoal em detrimento do coletivo.
  • A ira, que pode servir de energia para uma revolução plenamente justificada, mas que também alimenta os discursos de ódio e a opressão sistêmica.

Apenas a inveja perde lugar nessa lista porque, com a implementação da igualdade entre os homens, não haverá desproporção de bens e, portanto, tal sentimento se limitará a fatores não materiais, como beleza, inteligência, entre outros.

O fim do egoísmo, no entanto, implica também o fim do ego. Isso porque é o ego que nos leva a violar o princípio da igualdade, regredindo ao individualismo.

Nosso modelo, aqui, é a abelha, ou a formiga: o novo homem deve ser uma peça do coletivo, na grande engrenagem social. Uma colmeia ou um formigueiro funcionam perfeitamente por uma única razão: todos estão alinhados em seu objetivo, prontos a se sacrificar pelo grupo.

Isso significa, para muitos de nós, realidades desconfortáveis: dividir nossas casas com estranhos; partilhar nossa comida com desconhecidos que apareçam sem aviso, com fome; irmos trabalhar a qualquer hora quando o coletivo demandar, na função que for necessária, abdicando de nossas comodidades egocentradas para o bem comum.


Comunismo sem Estado: como será a verdadeira sociedade comunista?#5

Espírito de Justiceiro

Os vigilantes darão fim aos dissidentes

E mbora Marx tenha sido otimista sobre a conscientização de classe, propondo que, com a educação correta, todos seguirão os princípios da igualdade plena, é mais realista supor que alguns indivíduos buscarão, apesar de tudo, acumular capital e recriar hierarquias baseadas em força ou no que se denomina mérito.

Podemos considerar essa possibilidade porque a acumulação de capital foi inventada pelo próprio ser humano no passado, tendo ocorrido em quase todas as sociedades pelo mundo todo. Assim como um câncer, uma única célula defeituosa na sociedade comunista pode arruinar o organismo inteiro. Logo, nada impede que outros tentem praticá-la em um futuro comunista, desafiando os princípios sociais estabelecidos. Do mesmo modo, a formação de hierarquias sempre ocorreu naturalmente entre seres humanos, dos mais altos escalões dos impérios até as crianças em idade escolar. Isso cria um obstáculo para o comunismo.

O que se perde com essas transgressões? A igualdade.

Quando alguns possuem mais do que outros, ainda que sem praticar roubo, mas via consentimento, temos o renascimento da exploração capitalista. E sem um Estado para conter essas transgressões, uma sociedade comunista precisará de vigilantes.

Na prática, todos os cidadãos no comunismo são vigilantes à sua própria maneira, devido ao princípio da igualdade. Em dadas circunstâncias, todos os membros de uma comunidade local deverão ser mobilizados para pôr fim a um acumulador de capital (por exemplo, um agricultor que acumule as frutas que produz), ou a um arranjo empregatício (por exemplo, pessoa A troca serviço de limpeza por pacotes de biscoito com pessoa B, em ato consensual, mas exploratório), ou, ainda, a alguém que empreste recursos a juros. Esses atos precisam ser punidos.

No passado, atos de justiça pela mão das multidões costumavam ser injustos e barbáricos. Afinal, é difícil julgar alguém de forma justa e imparcial em meio a um fervor insaciável de fúria coletiva. Mas não se espera que tais eventos se repitam em uma sociedade comunista.

Os vigilantes, portanto, irão se valer dos princípios comunistas para eliminar as dissidências — primeiramente via tentativas de reeducação e, persistindo as falhas, por meio de cárcere privado com trabalhos forçados ou terminação biológica.

Tais medidas podem parecer extremas, mas sem elas, o risco de uma ressurgência do capitalismo é iminente. Assim como um câncer, uma única célula defeituosa na sociedade comunista pode arruinar o organismo inteiro.


Comunismo sem Estado: como será a verdadeira sociedade comunista?#6

Profissionalização Universal

Não espere que os outros façam o trabalho por você

A fim de não explorar o trabalho alheio, todo indivíduo deverá ser capaz de realizar pessoalmente as funções de que venha a precisar. As rações, é claro, serão distribuídas gratuitamente, em troca do trabalho prestado à comunidade — assim como ocorria na União Soviética. Mas todo o resto (serviços ou bens materiais) ficará a cargo do próprio cidadão.

Para Marx, a especialização no trabalho é uma forma de alienação. No capitalismo, o operário não sabe de onde veio as peças que utiliza, nem sabe como serão vendidas. O mineiro não sabe para que será usado o metal que retira das rochas. Se o homem do Paleolítico precisava caçar a própria comida e construir sua própria lança, decorre logicamente que o homem moderno jamais poderia terceirizar suas necessidades sem incorrer em ato perverso. Essa desconexão entre quem produz, quem vende e quem consome, para Marx, é altamente problemática, pois não condiz com a forma como os seres humanos originalmente viviam (modo tribal, isto é, as comunidades de caçadores-coletores).

A solução, no marxismo, é o fim da especialização.

O homem e a mulher plenamente comunistas cuidam de tudo. Eles cortam o próprio cabelo, costuram as próprias roupas, plantam os próprios legumes. O garfo, a faca e a colher são forjados na casa de cada um, depois que cada indivíduo, pessoalmente, encontrou e removeu o metal das entranhas da terra. Embora nos soe estranho hoje, o conhecimento para executar tais funções é um direito humano a ser provido no comunismo. Assim, quando há abastecimento de água, os canos de plástico são produzidos por cada pessoa de forma caseira, depois de terem encontrado um poço de petróleo e preparado os químicos para a criação do PVC — graças à democratização do conhecimento, hoje segregado por empresas ou em setores elitistas das universidades.

Somente assim é possível vencer a lógica da alienação.

Há quem proponha que os trabalhadores sejam informados sobre os aspectos que desconhecem de seu trabalho, como a origem e a destinação dos itens que manejam. Mas é pouco provável que eles tenham qualquer interesse nesses detalhes, o que, para alguns críticos, indica que a alienação apontada por Marx não tem qualquer relevância prática.

Porém, se o homem do Paleolítico, vulgo homem das cavernas, precisava caçar a própria comida e construir sua própria lança, assim como acender seu próprio fogo, decorre logicamente que o homem moderno jamais poderia terceirizar suas necessidades sem incorrer em ato perverso.

E isso se aplica à autodefesa também. Sem polícias ou instituições opressoras semelhantes, caberá a cada um armar-se quando for necessário, e cuidar de sua própria segurança.

Ou seja: construa seu próprio iPhone. Ou aprenda a viver sem ele. Dessa forma, os luxos supérfluos com os quais estamos acostumados, propiciados pela exploração capitalista, aos poucos desaparecerão, deixando-nos apenas com o essencial para a sobrevivência e a manutenção básica da vida.


Comunismo sem Estado: como será a verdadeira sociedade comunista?#7

Abdicação ao Poder

Todos os líderes abrirão mão de seus postos

N ada disso será possível se o Estado comunista, isto é, a ditadura do proletariado, não se dissolver por conta própria, depositando o poder na mão dos indivíduos.

Para tanto, o líder supremo deverá abdicar de seu posto, sair de seu palacete com roupas comuns, sem a proteção de sua guarda, e caminhar até a cidade, onde passará a morar com os E assim, o mundo inteiro será comunista, sem Estado, sem opressões, sem hierarquias, sem dinheiro, sem a alienação das religiões e sem a discórdia entre os homens. demais proletários, trabalhando em uma fábrica oito horas por dia, seis dias por semana, e alimentando-se das rações comunais.

Os membros do exército, um a um, destruirão suas armas, lançarão seus uniformes no lixo reciclável e procurarão outra profissão. Os capitães e generais queimarão suas condecorações, em nome da igualdade, e irão se submeter às necessidades do coletivo — mesmo que sejam destinados à limpeza de privadas.

Os banqueiros, administradores do Tesouro de Estado, esvaziarão por completo os cofres públicos, realizando depósitos igualitários a todos os cidadãos. Suas roupas distintas e seus escritórios luxuosos serão doados ao povo.

Para celebrar a eutanásia estatal, a população queimará as notas de dinheiro e lançará as moedas nos rios. A partir de então, todas as transações serão feitas via escambo — e como não se sabe qual a equivalência de valor entre um produto e outro, em toda troca as duas partes dirão que estão sendo exploradas, e ambas serão punidas pelos vigilantes por tentativa de obtenção de lucro.


E assim, o mundo inteiro será comunista, sem Estado, sem opressões, sem hierarquias, sem dinheiro, sem a alienação das religiões e sem a discórdia entre os homens.

O desejo instintivo do homem para competir, para conquistar, será extinto por meio da educação: uma vitória da pedagogia sobre a biologia.

As diferenças inerentes aos seres humanos serão compensadas pela redistribuição. Nas palavras de Marx, que a sociedade obtenha "de cada um segundo sua capacidade", e que dê "a cada um segundo suas necessidades". Sem um Estado, cada um dirá qual sua capacidade de trabalho com absoluta honestidade, e cada qual informará suas necessidades com máxima humildade, sem jamais tirar qualquer tipo de vantagem como se faz atualmente.

E todos os indivíduos com ânsia de poder e controle serão curados dessa doença pela educação para o bem. Nunca mais haverá disputa sobre a face do planeta, alcançando-se, como prometeu Marx, o "fim da história": não haverá mais guerras, revoluções ou sucessões de dinastias, pois a utopia terá sido alcançada — a destinação inevitável da humanidade.

A qualquer momento, chegaremos lá.

Aguardemos sentados.

Comunismo sem Estado: como será a verdadeira sociedade comunista?
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