
A s mãos e os pés queixavam-se dos outros membros, dizendo que estavam fartos de trabalhar e que traziam o corpo às costas, e que todo aquele esforço beneficiava apenas o estômago, que comia sem passar trabalho algum. Portanto, decidiram que o estômago que se virasse sozinho, que eles não haviam mais de dar-lhe de comer.
Por muito que o estômago lhes pedisse, não quiseram voltar atrás no que tinham dito. A partir dali, os membros negaram-lhe comida. O estômago, é claro, enfraqueceu. Juntamente com ele, porém, enfraqueceram os pés e as mãos. Estes, desesperados, mudaram de ideia depressa e voltaram a querer alimentá-lo.
Contudo, a fraqueza do corpo já era muita, e de nada lhes valeu. Morreram todos juntos.
Moral da História:
Não seria correto afirmar que todos os membros de uma sociedade contribuem da mesma maneira para o bem-estar coletivo. Porém, é um fenômeno comum que cada um só enxergue o seu próprio esforço e a sua própria contribuição, negligenciado a importância de outros membros da sociedade e sua função para a coerência e funcionamento do todo (especialmente quando há inveja envolvida). Desta percepção surgem acusações de injustiça e exploração, muitas vezes infundadas; e quando partes fundamentais de uma sociedade são sabotadas por esses erros de julgamento, todo o coletivo pode padecer.
