Peter Pan e Wendy: o fascismo perverso de uma fábula infantil - Série Num Futuro Próximo | Fantástica Cultural

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8 maio 2023
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Peter Pan e Wendy: o fascismo perverso de uma fábula infantil

Num Futuro Próximo
Não se engane: poucas coisas são tão reacionárias quanto os filmes e séries da Disney.
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A cada dia que passa, mais nós percebemos as problemáticas abomináveis de nossa sociedade. Ontem, a escravidão. Hoje, a gordofobia. Tudo o que um dia foi belo e puro, um dia revelar-se-á pelo que realmente é: uma apologia ao fascismo.

Em nosso rumo ao progresso, é necessário problematizarmos tudo. Absolutamente tudo. Só assim poderemos aniquilar nosso passado machista, racista, homofóbico, xenofóbico, de orientação patriarcal. E a verdade é que, ao filtrarmos todos os itens culturais que refletem preconceitos (filmes, séries, livros, games, músicas, artes visuais, etc.), nada restará.

De fato, a única maneira de alcançarmos um mundo realmente humano, que respeite os direitos inalienáveis de todos (exceto nossos inimigos políticos, estes merecem a guilhotina), é encarnarmos a eterna revolução. A resistência, a revolta, a problematização nunca pode acabar, ou nos transformaremos em nossos inimigos.

O passado é sempre reacionário, conservador e fascista. E o que é o passado? A Idade Média? Os anos 60? O ano passado? O passado é o milissegundo que já passou. Se nos apegarmos a qualquer elemento anterior ao presente, estaremos dando os primeiros passos rumo ao reacionarismo.

Assim, não é fora desta perspectiva que devemos assistir ao mais novo filme da Disney, Peter Pan e Wendy, que, apesar de uma frágil camada de progressismo, não passa do antigo fascismo de sempre.

A começar pelo título: o nome do menino, macho, vem antes do da menina. Depois de milênios de opressão de gênero, é inaceitável que Wendy seja colocada em segundo lugar no título.

Apesar do feminismo fajuto contido no filme, na tentativa de empoderar Wendy dando-lhe traços masculinos e habilidades especiais, o que assistimos é uma caricatura da mulher forte, que precisa ser levada até a Terra do Nunca pelo macho Peter (ela não conseguiria fazê-lo sozinho). Também é Peter quem lhe concede o poder de voar — uma analogia clara à ideia de que a tecnologia e as comodidades do mundo moderno, usadas pelas mulheres, são criações do homem, dadas a elas por benevolência do gênio masculino, como um favor.

Temos os meninos perdidos da Terra do Nunca, que agora incluem meninas (embora o grupo ainda seja tratado do masculino, meninos, revelando machismo intrínseco). Temos o capacitismo, razão pela qual o homem que perdeu uma mão é escolhido para representar o vilão. Temos a objetificação da fada Sininho, brinquedo sexual de Peter, que agora é interpretada por uma mulher negra (o que agrava ainda mais a situação).

E por trás de todos estes preconceitos neonazistas, disfarçados sob uma maquiagem pouco convincente de justiça social, encontra-se o verdadeiro princípio movedor da Disney: o acúmulo de capital. Sim: outra vez, o capitalismo neoliberal.

Não podemos mais tolerar estes preconceitos. Num futuro próximo, todos estes filmes, livros e séries considerados "clássicos" deverão ser erradicados da face da Terra. Até lá, cancele sua assinatura da Disney+ (e todas as outras). Só assim se fará a verdadeira revolução, camaradas.


Paulo Nunes
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