
E stando juntos muitos Carneiros, chegou até eles um Carniceiro. Os Carneiros, porém, não se amedrontaram nem fizeram caso disso. O Carniceiro logo pegou um dos Carneiros e o matou. Nem ao ver o sangue jorrar, porém, os demais Carneiros sentiram medo. O Carniceiro continuou e, um a um, matou todos os Carneiros até o último, que, vendo-se diante do próprio abatimento, disse:
— Não é à toa que perecemos. Vendo o mal que se abatia sobre nós, não quisemos entendê-lo. No começo, poderíamos ter nos juntado e nos defendido às marradas, ao perceber que o Carniceiro nos matava. Mas preferimos não fazer nada. Agora, eu sozinho nada posso fazer. E assim acabamos nós todos.
Moral da História:
No mundo moderno, esse fenômeno pode ser observado na reação das pessoas às injustiças perpetradas pelo Estado. Um indivíduo é injustiçado, e os demais se calam, ou se colocam a defender a injustiça. Uns, covardes, preferem não se envolver; outros, perversos, enxergam na injustiça uma forma de punir alguém de quem não gostavam. Mas as injustiças se multiplicam de forma sistêmica, e é apenas uma questão de tempo até que todos sejam visitados pelo Carniceiro.
