
C hegando uma Raposa a uma parreira, viu-a carregada de uvas maduras e formosas e cobiçou-as. Começou a fazer tentativas para subir. Porém, como as uvas estavam altas e a subida era íngreme, por muito que tentasse não as conseguiu alcançar. Então disse:
— Estas uvas estão muito azedas. Podem até manchar-me os dentes. Não quero colhê-las verdes, pois não gosto delas assim.
E, dito isto, foi-se embora.
Moral da História:
Esta fábula é famosa por ilustrar um fenômeno comum: a frustração compensada pelo desprezo. Trata-se de um mecanismo psicológico que protege o ego de uma falha ou rejeição. Quando alguém deseja algo, mas não o pode obter, muitas vezes tenta convencer-se de que nunca teve qualquer desejo por aquilo, ou que seu objeto de desejo não valia a pena. Assim, ao fingir que as uvas estavam azedas, a raposa pode iludir-se de que não falhou em colhê-las, mascarando seu desapontamento.
